ESPECIAL: Caderno Didático – Ensino de História e Educação do Campo: memórias da luta pela terra no Assentamento Palmeiral-Vietnã em Esperantinópolis (MA)
Data de Publicação: 24 de abril de 2026 10:22:00 Dissertação desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIST UEMA), que deu origem ao produto educacional intitulado Caderno Didático – Ensino de História e Educação do Campo: memórias da luta pela terra no Assentamento Palmeiral-Vietnã em Esperantinópolis-MA, concebido como instrumento pedagógico voltado à valorização das experiências e saberes locais.

A professora doutoranda Raimunda de Jesus Matos Silva realizou, fez questão de entregar ao Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Esperantinópolis, um exemplar de seu Produto Educacional relacionada a pesquisas com os homens e mulheres do campo. A ação simboliza a devolutiva de um trabalho construído a partir das memórias, das vivências e das lutas coletivas que historicamente marcam o território.
Filha de trabalhadores rurais e professora atuante em área de assentamento, Raimunda de Jesus Matos Silva construiu sua trajetória acadêmica profundamente vinculada à realidade do campo, o que se reflete diretamente na escolha de seu objeto de estudo.
Sua dissertação, desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIST UEMA), deu origem ao produto educacional intitulado Caderno Didático – Ensino de História e Educação do Campo: memórias da luta pela terra no Assentamento Palmeiral-Vietnã em Esperantinópolis-MA, concebido como instrumento pedagógico voltado à valorização das experiências e saberes locais.
Ao tratar das motivações de sua pesquisa, a autora destaca que “o ensino de História precisa dialogar com as vivências dos sujeitos, especialmente daqueles que historicamente tiveram suas narrativas silenciadas”, defendendo a inserção das memórias da luta pela terra no processo educativo como forma de fortalecer identidades e promover o reconhecimento social (SILVA, 2024).
Nesse sentido, o Produto Educacional não se limita a um material didático, mas se configura como uma proposta de intervenção pedagógica comprometida com a construção de uma educação contextualizada e socialmente referenciada.
A colaboração do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Esperantinópolis foi fundamental para a realização da pesquisa, uma vez que a instituição atuou como espaço de articulação e acesso aos sujeitos que protagonizam a luta pela terra na região. Essa parceria possibilitou o desenvolvimento de um trabalho ancorado na escuta sensível, no respeito às trajetórias dos participantes e na valorização da memória coletiva, elementos que conferem densidade e legitimidade à pesquisa.
O reconhecimento da relevância do trabalho se materializou na premiação recebida em 2025, quando o Produto Educacional foi destacado como o melhor produto do mestrado do programa (2024), evidenciando sua consistência teórica e seu potencial de aplicação prática. Posteriormente, em 2026, o material foi apresentado na Jornada Acadêmica do PPGHIST UEMA, ampliando o diálogo com a comunidade acadêmica e consolidando sua importância no campo do ensino de História.
Atualmente, Raimunda de Jesus Matos Silva dá continuidade à sua trajetória acadêmica como doutoranda no mesmo programa, desenvolvendo uma pesquisa que propõe a adaptação do caderno didático para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), com foco nos anos finais do Ensino Fundamental. A proposta visa ampliar o alcance do material, contemplando estudantes da Educação Especial e reforçando o compromisso com uma educação inclusiva. Especialista em Educação Especial e Psicopedagogia, e também graduanda em Psicologia, a pesquisadora articula diferentes campos do conhecimento na construção de práticas educativas sensíveis às diversidades e às necessidades dos sujeitos.
Assim, a entrega do produto ao STTR não apenas encerra um ciclo de pesquisa, mas inaugura novas possibilidades de uso e circulação do conhecimento produzido, reafirmando o papel da universidade pública na construção de saberes comprometidos com a transformação social e com o fortalecimento das lutas coletivas no campo, bem como, a memória social e o papel da Educação do Campo na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Mais parcerias - O atual presidente do STTR de Esperantinópolis, Antônio Raimundo Noca, ressalta a importância destas parcerias. “Queremos construir cada vez mais estas parcerias com a educação, igrejas e outros setores da nossa sociedade, para que possamos ampliar nossos horizontes, para além do movimento sindical, e assim nos tornarmos referência no sentido de fortalecer nossa atuação na sociedade como um todo”, afirma.





