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DIA DE JOÃO DO VALE: COMPOSITOR PEDREIRENSE COMPLETARIA HOJE 88 ANOS


João Batista do Vale, mais conhecido como João do Vale estaria completando 88 anos de idade hoje. Nascido em Pedreiras, no dia 11 de outubro de 1933, faleceu em São Luís, na data de 6 de dezembro de 1996, foi um músico, cantor e compositor maranhense. O “poeta do povo” foi eleito “Maranhense do Século XX”, sendo uma das figuras mais importantes no cenário artístico nacional.

De origem humilde, João sempre gostou muito de música. Aos 13 anos, se mudou para São Luís. Em 1964, estreou como cantor. Suas principais composições são: Carcará, em parceria com José Cândido e imortalizada na interpretação de Maria Bethânia, Peba na pimenta, com Adelino Rivera, e Pisa na fulô, com Ernesto Pires e Silveira Júnior.

João Batista do Vale gostava muito de música desde pequeno, mas logo teve de trabalhar para ajudar a família. Aos 13 anos, foi para São Luís/MA, onde vendia laranjas na rua e participou de um grupo de bumba-meu-boi, o Linda Noite, como "amo" (na cultura popular maranhense, amo é a pessoa que organiza o grupo de bumba meu boi, o cantador, na maioria das vezes o dono daquele grupo).

Dois anos depois, começou sua viagem para o sul, pegando um trem para Teresina, e depois sempre em boleias de caminhões: em Fortaleza CE, foi ajudante de caminhão; em Teófilo Otoni MG, trabalhou no garimpo; e no Rio de Janeiro RJ, onde chegou em dezembro de 1950, empregou-se como ajudante de pedreiro, numa obra no bairro de Ipanema

Passou a frequentar programas de rádio para conhecer os artistas e apresentar suas composições, na maioria baiões. Depois de dois meses de tentativas, teve uma música de sua autoria gravada por Zé Gonzaga, Cesário Pinto, que fez sucesso no Nordeste. Em 1953, Marlene lançou, em disco, Estrela miúda, que também teve êxito; outros cantores, como Luís Vieira e Dolores Duran, gravaram então músicas de sua autoria.

Em 1954, participou como figurante do filme “Mãos Sangrentas”, dirigido por Carlos Hugo Christensen. João do Vale conheceu Roberto Farias – na época assistente de direção, - que, ao se transformar em diretor, convidou o compositor para musicar alguns de seus filmes, como “No Mundo da Luz”, de 1958. Além disso, em 1969, ele comporia a trilha sonora de “Meu Nome é Lampião”, de Mozael Silveira.

Em 1962, Luiz Gonzaga grava a canção De Teresina a São Luiz, que retrata a ferrovia São Luís-Teresina.

Em 1964, estreou como cantor no restaurante Zicartola, onde nasceu a ideia do Show Opinião, dirigido por Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa, e que foi apresentado no teatro do mesmo nome, no Rio de Janeiro. Dele participou, ao lado de Zé Kéti e Nara Leão, tornando-se conhecido principalmente pelo sucesso de sua música Carcará (com a participação de José Cândido), a mais marcante do espetáculo, que lançou Maria Bethânia como cantora, que substituiu Nara no espetáculo.

Como compositor, em 1969, fez a trilha sonora de “Meu nome é Lampião” (de Mozael Silveira).

Depois de se afastar do meio musical por quase dez anos, lançou, em 1973, “Se eu tivesse o meu mundo” (com Paulinho Guimarães) e, em 1975, participou da remontagem do Show Opinião, no Rio de Janeiro.

Em 1982 gravou seu segundo disco, ao lado de Chico Buarque, que, no ano anterior, havia produzido o LP João do Vale Convida, com participações de Nara Leão, Tom Jobim, Gonzaguinha e Zé Ramalho, entre outros.

No final dos anos 1980, o artista sofreu um derrame cerebral, que deixou sequelas. entre 1987 e 1990, precisando ficar em uma cadeira de rodas, e com capacidade de comunicação também reduzida.[1]

Em 1995, Chico Buarque voltou a reverenciar o amigo, reunindo artistas para gravar o disco João Batista do Vale, com participação de Edu Lobo, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Alceu Valença, e do próprio Chico Buarque, e que foi Prêmio Sharp de melhor disco regional.

Tem dezenas de músicas gravadas e algumas delas deram popularidade a muitos cantores: Peba na pimenta (com João Batista e Adelino Rivera), gravada por Ari Toledo; Pisa na fulô (com Ernesto Pires e Silveira Júnior), xote de 1957, gravado por ele mesmo; também o baião Coronel Antonio Bento (Luiz Wanderley e João do Vale), sucesso com Tim Maia; e Asa do Vento, que foi gravada por Caetano Veloso,

 

Homenagens

Em 1995, foi fundado o Teatro João do Vale, no Centro Histórico de São Luís.

Em 2006 (décimo ano após sua morte), foi lançado o espetáculo musical "João do Vale - o Poeta do Povo", peça de Maria Helena Künner, com direção musical de Marco Aurêh, baseada na biografia "Pisa na fulô, mas não maltrata o Carcará", escrita por Márcio Paschoal.

As músicas Carcará e Estrela Miúda (gravadas por grandes nomes da música brasileira como Marinês, Elba Ramalho, Amelinha, dentre outros) fizeram parte da trilha sonora da novela Cordel Encantado, da Rede Globo de televisão, na interpretação marcante de Maria Bethânia.

Na sua terra natal, em Pedreiras, é homenageado com uma estátua sua, onde o braço e o carcará que ele segura são feitos de bronze.

Em 2017, foi montado, em São Luís, o espetáculo João do Vale- o Musical, que também fez apresentações no interior do estado e no Piauí.

Em 2021, foi inaugurado o Parque João do Vale, hoje o maior centro cultural e de lazer da cidade de Pedreiras, com Biblioteca, Museu, Centro de Juventude, Auditório e vários equipamentos para a prática de exercícios físicos, quadras de esportes e outras atrações, vem recebendo grande público que visita o complexo diariamente. Todas as áreas, praças e órgãos ali instalados homenageiam o artista com títulos de suas músicas.

 

Discografia

2004 Carcarás da Cidade - Um tributo a João do Vale • Nova Iguaçu Discos

1994 João Batista do Vale • BMG

1982 João do Vale e Chico Buarque

1981 João do Vale convida • CBS

1980 História da Música Popular Brasileira • Abril Cultural

1970 Coleção nova Música Popular Brasileira. João do vale • Abril Cultural

1967 Eu chego lá/Sanhoró/Eu vim praí/Viva meu baião. • Philips

1965 O poeta do povo • Philips

1965 Opinião ao vivo • Philips

 

Homenagens em Pedreiras

O cantor, compositor e poeta João do Vale será homenageado nesta segunda-feira (11), no dia em que comemoraria 88 anos, em programação promovida pelo Governo do Estado em Pedreiras, com a apresentação de artistas da cidade, com oficinas de teatro, show musical e sarau poético, no parque que leva seu nome.

Na programação está prevista a realização de show e sarau poético, a partir das 18h, com a participação de artistas locais. O repertório será composto por releituras de sucessos, como Carcará, Na Asa do Vento, Peba na Pimenta, Pisa na Fulô e muito mais. A ideia é celebrar a rica obra musical de um dos maiores compositores brasileiro. Pela manhã e tarde, a atriz Jaqueline Lemos comanda a oficina de teatro “Mente sã, corpo são”.

 

Dia 16 de outubro – área externa no Parque João do Vale

Pedreiras receberá o espetáculo “João do Vale, o gênio improvável”, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e apresentação do Ministério do Turismo, o maior espetáculo do Maranhão retorna aos palcos maranhenses com a turnê “Nas Trilhas do Maranhão”. A montagem percorrerá 10 cidades do estado levando a história de vida e obra de João Batista Vale. O projeto é uma realização do Governo do Estado do Maranhão e da Fundação Sousândrade.

O espetáculo estreou em dezembro de 2017 no palco do Teatro Arthur Azevedo, desde então vem fazendo sucesso dentro e fora dos palcos tradicionais. Cerca de 35 mil pessoas já assistiram o musical em 25 sessões realizadas no teatro e em praças públicas, durante a turnê “De São Luís a Teresina”. A grande novidade dessa temporada é que todas as apresentações serão realizadas em praças públicas, incluindo a capital, São Luís.

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